21 de agosto de 2017

Resenha | A ilusão do tempo

Sempre que eu sento para escrever a resenha de um livro absolutamente incrível um pensamento me ocorre: como é difícil escrever a resenha desse livro. Na minha concepção eu não vou nem em um milhão de anos conseguir corresponder num texto tudo que esse livro foi pra mim ou o que me fez sentir. Porém, ainda que eu não consiga escrever uma resenha decente, eu tenho que fazer, porque só assim vou conseguir colocar tudo pra fora e talvez até convencer alguém de lê-lo, e essa é uma obra que merece ser exaltada.

Os tempos são difíceis, existe uma crise financeira se agigantando por todo o mundo. A população decide então aderir a um produto novo, uma caixa preta impenetrável até pelo tempo. Nessas caixas eles se escondem da crise, programando-as para se abrir quando ela passar. O que ninguém previu é que o mundo inteiro iria usar as caixas e não sobraria ninguém para resolver os problemas.
A família de Vitória aderiu ao método, mas com o passar dos anos a caixa da garota abriu, e ela se viu num mundo completamente abandonado. A floresta começou a tomar conta das casas e ruas, os animais moravam em shoppings, casas e empresas. Depois de um breve desespero ela encontra Marcos, e ele apresenta a garota a uma idosa chamada Rosa, que lhes conta que o problema do mundo só vai ser resolvido depois que ela lhes contar uma história.

Rosa então começa a contar a história de um tempo muito antigo, quando os humanos viviam em paz com a natureza e animais, mas que tudo isso fora corrompido por um Rei que desejava conquistar o mundo, e que depois de tanto ganhar descobriu que não é possível conquistar o mundo sem conquistar o tempo. Decidiu então colocar sua filha, seu bem mais precioso, numa arca mágica que nem o tempo poderia penetrar. Encontrou uma conexão?
Esse livro é uma preciosidade. Outro dia me perguntei se existe algum livro sem críticas ruins, se há alguma história que ninguém odeie, e não cheguei a nenhuma conclusão. Assim que terminei de ler A Ilusão do Tempo me fiz novamente esse questionamento, porque a única coisa de ruim que encontrei aqui foi a capa fosca que suja muito fácil, ou seja, nenhuma reclamação da história. Aliás, a capa fosca é o único defeito da edição, porque no geral ela está absolutamente maravilhosa.

O livro é escrito tão lindamente que todas as vezes que a Rosa contava sua história eu sentia que estava sentada junto às crianças ouvindo tudo da boca dela, ou que estava deitada na cama enquanto minha mãe lia para eu dormir. E até senti o desejo de lê-lo para alguém na hora de dormir, apesar dele ter um tema/crítica bem forte. Ele tem esse tom de contos de fada e fantasia, mas fala de um tema super importante e tem um efeito impactante sobre suas opiniões, sentimentos, visão de mundo, preocupações. Claro que me questionei com o que tenho feito com meu próprio tempo, se tenho o aproveitado suficientemente.
Ele fala de coisas importantes de uma forma que te prende, que te dá vontade de se aconchegar em alguém e até pedir pra ela ler pra ti. Fiquei imersa nas duas histórias, e em nenhum momento alguma ficou chata, entediante ou embromou, pelo contrário. Vou guardar com carinho esse livro no coração até ter um filho e poder contar essa história fantástica pra ele.

Antes de terminar, só queria falar que o autor é islandês e o livro foi traduzido diretamente da língua original. Acho isso incrível! A tradução muitas vezes é feita para o inglês e depois para outras línguas, e talvez se perca no meio de tantas palavras em diferentes línguas algo que o autor tentou passar. Uma curiosidade legal sobre o autor é que ele concorreu à Presidência da Islândia em 2016.

Autor: Andri Snaer Magnason
Editora: Morro Branco
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Cultura


16 de agosto de 2017

Resenha | Império de Tempestades - Tomos 1 e 2

Império de Tempestades é o quinto livro da série Trono de Vidro, portanto a resenha conterá spoilers dos primeiros, Trono de Vidro, A Lâmina da Assassina, Coroa da Meia Noite, Herdeira do Fogo e Rainha das Sombras.
Nesse volume, Aelin está finalmente de volta ao seu reino, porém não esperava encontrar não só uma relutância em lhe permitirem o trono do seu próprio reino, mas uma negativa de todos os lordes. Aparentemente sua história não é muito apreciada por eles, e ao que parece ela é apenas uma princesinha mimada e uma assassina sangue frio que eles não desejam ter com uma coroa na cabeça.

Em consequência ela está sem casa, sem exército, porém com muitos planos na cabeça. Pode cair o mundo na cabeça da Aelin, mas ela sempre tem um plano por cima de plano, e nem sempre os revela, então a gente sempre tem uma parada cardíaca quando são revelados, assim como Aedion e Rowan.

Com seu trono negado mas com muitas coisas a fazer, ela e sua corte viajam. Enquanto isso, acontecem mil coisas com os outros personagens da série, coisas que eu gostaria de poder falar abertamente, mas seria muito spoiler. E também há revelações, coisas da qual fomos informados limitadamente no primeiro livro que são esclarecidas agora, informações que vão mudar o curso de tudo.
Esse basicamente é o livro da série que vai destruir todos os seus sentimentos, ou pelo menos transformar eles em lágrimas. No final do livro eu estava em prantos, a ponto de ter que me acalmar para continuar a leitura. Ainda não consigo falar dele sem sentir uma dor no coração, mas não pela morte de alguém, e sim pelas revelações que o livro nos deu, pelos acontecimentos em geral, mas principalmente pelos do fim.

Aelin é uma personagem muito esperta. Só queria saber como funciona a cabeça dessa mulher, que de um livro pra outro se tornou a rainha que eu seguiria pro resto da vida. Desde o começo estou falando que ela ganhou o posto de minha personagem preferida. Na verdade, essa série em todos os aspectos se tornou minha preferida, e dói pensar no quanto vou ter que esperar pelos próximos livros (os quais eu desejo que tenham mil páginas cada).
Sarah J. Maas só escreve finais épicos. Ela nos mata de curiosidade durante todo o livro e no fim ela faz a gente surtar, mas esse foi o que mais acabou comigo. Ela cria personagens tão reais que dói não ter a real presença deles com a gente. Meu novo maior medo é que realmente haja filmes ou série para a TV desses livros e eles estraguem a obra prima que estão nessas linhas. 

E é com meu amor totalmente declarado que encerro essa resenha cheia de sentimentos, na esperança de conseguir ler outra coisa que não seja repetir a leitura de todos os livros até o lançamento do próximo. 


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Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Onde comprar: Amazon Tomo 1 - Tomo 2 | Saraiva Tomo 1 - Tomo 2 | Submarino Tomo 1 - Tomo 2


15 de agosto de 2017

Organizando a estante nova

Meu maior sonho é ter uma biblioteca em casa. Acho que é o sonho da maioria dos leitores assíduos, com a pequena diferença de que cada um tem sua biblioteca ideal. A minha sempre foi aquela com estantes brancas, a organização por cor. Com o tempo quero comprar mais estantes para os meus futuros livros e encher uma parede inteira com o meu sonho. 

Tive alguns problemas com a compra. Não achei nenhuma loja decente que não cobrasse um rim na internet e aqui na cidade não tinha nenhuma, a não ser a que eu comprei, que não é exatamente uma estante e tem a qualidade bem inferior a uma. Por isso tive que colocar apoio no meio, senão a madeira não suportaria o peso dos livros.

Foi um momento tenso esse. Eu já tinha comprado, montado e na hora de colocar os livros a madeira desceu de primeira. Impossível sem o apoio. 

Mas deu tudo certo, ficou muito lindo, do jeito que eu queria, organizado como eu queria, um cenário lindo para os vídeos, uma felicidade para os meus olhos. Todos os dias que olho pra ela me encho de gratidão. 


11 de agosto de 2017

Leituras de Julho

Julho teve MLI e mesmo não tendo lido nem metade da minha TBR eu sou muito grata à essa maratona. Não fosse o estímulo que ela me deu eu não teria lido nada. Já até postei resenha da maioria dos livros que li nesse mês, é só clicar no título deles para ler. Mas recomendo que assista o vídeo que postei no canal. Acho que estou conseguindo me soltar mais e falar dos livros com a paixão que eu quero passar pra vocês.

A fada
Império de tempestades



9 de agosto de 2017

Resenha | Tudo que deixamos para trás

Você já parou pra pensar no que aconteceria se as abelhas simplesmente sumissem? No impacto que isso causaria não só na natureza mas principalmente na vida humana? É exatamente desse assunto que o livro Tudo que deixamos para trás fala. 

Nele vamos conhecer três personagens, três histórias, cada uma num tempo e lugar diferente. Uma em 1852 narrada pelo estudioso William, outra em 2007 pelo apicultor George e a última é uma futurista porém bem diferente do que a gente costuma ver em filmes, de 2098 narrada pela Tao

Obviamente no ano de 1852 as abelhas não tinham sido extintas, mas no futuro de Tao elas já não mais existem. Os humanos passaram a fazer o trabalho delas, um serviço demorado, incerto e muito importante para a sobrevivência. É que sem as abelhas polinizando as flores os frutos não existem, e comida não existe. E se a comida está escassa para os humanos que dirá para os animais, como o gado. Ou seja, sem leite ou derivados. Nem preciso continuar com a lista.

Os outros personagens também têm ligação com as abelhas, além de um importante papel na história. Confesso que foi um pouco irritante ler a história do William, nunca vi uma pessoa querer desistir tanto de tudo como ele. Além de vê-lo ser insistente com um dos filhos para que estudasse como ele quando obviamente este não queria, e ignorar completamente uma das filhas quando era essa que se sobressaia no assunto inteligência. Gostei muito dessa personagem, e fiquei muito feliz com o futuro dela na história.
George tem ligação direta com as abelhas todos os dias desde a infância, já que a família sempre trabalhou com apicultura. O dilema da vida dele é fazer com que o filho, Tom, trabalhe com ele e queira herdar o negócio da família. E esse é mais um dos filhos dos personagens principais que me deu orgulho, talvez o que mais me deu orgulho, pois foi o único que enxergou o verdadeiro problema e fez a diferença na história.

Esse não é um livro que te conquista nas primeiras páginas, como uma fantasia ou qualquer gênero que você goste muito. Se não der uma chance ele pode até ser considerado chato, por ter uma temática mais verdadeira, mais real. Mas ele cativa sim, aos poucos, gradativamente, e de repente você se vê querendo saber se tudo pode ser resolvido, rezando pra que isso seja possível.

De longe meu narrador preferido foi a Tao. Foi a época mais real para mim, mesmo que a história dela se passe a uns bons anos a frente do nosso ano agora. Senti na pele todas as angústias que ela sofreu. E tudo foi tão real, tão convincente, que não pude deixar de chorar em alguns momentos. E ainda estou preocupada, porque o medo disso tudo acontecer se instalou em mim, principalmente porque as mudanças coletivas necessárias pra que não aconteça são praticamente impossíveis. Já individualmente, aprendi minha lição e vou fazer minha parte.

Se tu é um leitor a bastante tempo eu indico demais essa leitura, até porque só lendo ele pra entender e conseguir se conscientizar. Eu poderia falar e falar e não conseguiria passar o que cada página desse livro me ensinou, tudo nele foi necessário pra compreender a solução. Novamente, ele não vai te prender no começo, mas quando ele acaba tu sente o peso da importância dele sobre ti, e resta somente admirar a obra incrível que ele é, e o desejo de propagar a mensagem que ele passa.

Autora: Maja Lunde
Editora: Morro Branco
Onde comprar: Amazon | Saraiva | Submarino


Adaptado por Isabelle Felicio

Tema Base por Butlariz